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Casos Contados
Casos Contados

     Aqui reuni os casos mais contados pelo povo de Nova Lima.

 

Terror no Cinema

     Há alguns anos atrás, funcionava em Nova Lima, no Teatro Municipal, um cinema. Virou tradição a turma ir ao cinema nas segundas-feiras para fazer bagunça. Era cada aprontação que a coisa começou a ficar exagerada. Criaram uma tal de "bomba relógio", que nada mais era, que uma bombinha de São João enfiada no meio de um cigarro aceso e escondido no banheiro. Quando a brasa alcançava o estopim da bombinha, era aquele estrondo. Havia o terrível "peido alemão" que era um barbante embebido em ovo podre que quando queimado o cheiro era insuportável.

     Havia coisas engraçadas como o símbolo da "Condor Filmes", cuja vinheta era um enorme condor parado no alto de um rochedo, por alguns instantes e saia voando. A turma já sabendo disto, ficava gritando: - Xô, Xôôôô! E a ave saia voando. Os mais antigos se lembrarão dos nostálgicos filmes do Tarzam em que acabavam com ele de costas, olhando por um instante para trás e ia embora. A turma gritava: - Ei Tarzam! Ei Tarzam! Quando ele olhava... - Não é nada não pode ir! Era hilário!

     De tanta bagunça que faziam nas segundas-feiras os dirigentes do cinema começaram a passar filmes mais sérios para ver se a turma aquietava. Lembro-me que o filme em cartaz era sobre o Conde Drácula. Em determinada cena o terrível vampiro olhava pela janela de cima da torre de um castelo para o bosque lá fora. No bosque uma jovem e bela loira contemplava o castelo, enquanto o vento balançava os seus cabelos na noite fria e nebulosa. O vampiro encarava a moça e esta como se estivesse magnetizada olhava para ele no alto da torre. O vampiro pula pela janela, se transforma em um horrendo morcego e voa em direção a bela moça enquanto esta comtemplava os olhos do mostro magnetizada. E a cena se alternava, morcego, moça, morcego, moça e ia acelerando a medida que a música também se intensificava dando mais ênfase a cena. Morcego, moça, morcego, moça, morcego,moça até que o horrendo mostro atingia o belo pescoço da indefesa moça!

     Aqueles dois rapazes viram o filme na sexta, no sábado e no domingo, gravando mentalmente cada instante da cena porque tramavam um plano diabólico.

     Na segunda-feira um deles usando um velho sobre-tudo que pegara de sua avó, trazia abaixo deste uma pobre galinha preta aprisionada pelo pescoço a fim de que esta não os denunciasse na entrada. O outro ia ao seu lado ajudando a sufocar os gemidos da pobre galinha.

     Conseguiram entrar e foram para a galeria, nos assentos mais altos do cinema. O filme começou até que a cena teve início. A jovem loira no bosque com seus cabelos balançando ao vento, no alto da torre o terrível vampiro a encarando. O vampiro salta da janela e se transforma em morcego e a moça o olha fixamente magnetizada. Morcego, moça, morcego, moça, morcego, moça quando có, có, có, có, algo estranho e preto pula de cima do teatro no exato momento do ataque do vampiro. Quem viu aquela estranha criatura, sem entender do que se tratava, saiu correndo e quem não viu correu também por causa dos gritos e da correria.

     No final da confusão, por sorte ninguém foi pisoteado mas os dois rapazes riram da polícia com lanternas tentando pegar a galinha em meio a sapatos e outros objetos deixados pelo povo na confusão.

 

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