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Apresentação

     Nas palavras do saudoso folclorista Saul Martins. "Nossa língua, dança, música, costumes estão sendo ameaçados pela onda alienígena, ora, não podemos aceitar indiferentemente esta ingerência, não deixaremos que a onda afogue a nossa cultura; é missão de salvamento".

     O objetivo deste modesto site é evitar que nossos padrões tradicionais sejam substituídos por modelos exóticos.

     Você já se imaginou indo a um shopping completamente nu? Situação extremamente engraçada e constrangedora. Sobretudo se lembrarmos em que sociedade vivemos hoje. A exposição ao ricículo seria inevitável, e os comentários a respeito de sua sanidade, também.

     Claro que, felizmente, ainda estou exagerando na comparação. Mas entre seus semelhantes, o jovem em questão se sentiria deslocado e discriminado. A partir desse raciocínio, uma pergunta vem à tona: a pessoa poderia ter o direito de escolher o que vestir, sem imposição de marcas ou modas, dando assim margem à sua manifestação individual? Em uma sociedade que primasse pelo indivíduo, certamente. Só que, na realidade, o que vemos é um mundo dominado pelo consumo, por uma avalanche de "modelos" e "padrões" contribuindo para uma homogeinação impraticável e extremamente nociva para a humanidade.

     Os efeitos dessa cultura de massa já podem ser vistas ao redor do globo. A falta de respeito com as diferenças, a busca pela perfeição, condição humanamente impossível, nos torna cada vez mais escravos de armadilhas publicitárias, revoluções tecnológicas e tudo mais que é usado para nos afastar da condição de seres críticos, pensantes e diferentes por natureza.

     Nos dias de hoje, a globalização e a mudialização buscam assegurar uma uniformização da vida, que em nossos dias, se manifesta através do interesse pela padronização da produção cultural. Neste contexto, projetos que sugerem o resgate da cultura popular tradicional merecem espaço mais abrangente.

     O resgate da cultura popular tradicional pode ser apresentado como um ato de justa restituição de uma parte do mutilado acervo cultural que não encontra espaço ou ressonância nas prioridades do trabalho cultural como um todo.

     Normalmente, os projetos que discutem este assunto raramente ultrapassam os limites do exótico, através de atividades isoladas que evocam as tradições ou as antiguidades populares, geralmente ilustradas nas comemorações religiosas ou organizadas por grupos que sozinhos vão se enfraquecendo ao longo dos anos.

     No tocante ao assunto, o pouco que se faz parece muito e como regra perde-se a chance de explorar a heterogeneidade cultural do nosso município.

     Sabemos que as ações culturais seguem um padrão universal tendo como contraponto, a vigência da idéia de cultura como algo valioso e digno de ser possuído por todos. Entretanto, um empecilho destas ações tem sido equilibrar os anseios para a adoção de práticas que pretendem ser igualitárias e universais, atendendo ao mesmo tempo culturas diferentes e sujeitos contextualizados.

     O salvamento das manifestações culturais populares e tradicionais tem sido discutido como uma das soluções para favorecer a recuperação da cultura popular como conteúdo legítimo da identificação de um povo.

     O espaço que este projeto pretende abrir, na nossa sociedade, para as discussões vinculadas à diversidade cultural na nossa cidade e identitária é, em última instância, resposta aos diferentes movimentos sociais que representam vozes em busca de direitos e legitimidade, bem como o reconhecimento, por parte do poder público municipal, da necessidade de conter os inúmeros conflitos provenientes da massificação da cultura.

     O objetivo maior deste projeto, talvez seja seu maior desafio. O resgate. O saber popular não é um modelo que permita inovações ou influências, mas em se tratando de salvamento, devemos buscar e alentar os fatores de motivação da comunidade em relação à sua cultura ou a prática desta quando relacionada aos folguedos populares

     Uma vez resgatada, motivada e alentada, a cultura popular tradicional passa ser a nossa identidade a nossa característica que mais nos evidencia como nova-limenses. A partir daí sugere-se a organização de certas formas tradicionais, cautelosamente estilizadas, visando à atração turística.

     Por conseqüência, organizações de grupos folclóricos devem ter o amparo do poder público que lhes ensinará a caminharem sozinhos embora lhes proporcione um apoio necessário a suas sobrevivências.

     Todo acervo da cultura popular tradicional deve ser classificado, estudado e disponibilizado em um espaço específico e destinado ao folclore. Este assunto está em constante evolução ou mudança conforme a necessidade da população, pois os maiores fatores de motivação estão relacionados à religiosidade e projeção social dos grupos que se dedicam às manifestações populares.

     São várias ações a serem propostas que culminam no grande objetivo deste trabalho que é o Resgate da Cultura Popular Tradicional.

 

Elmo Gomes

 

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